sábado, outubro 29, 2005

COM OS OLHOS FECHADOS

Há uma parte de mim que morre
Cada vez que cedo a tua imposição
Há uma parte de ti que escorre
Para o lado fraco, fácil e sem direcção

Quero ver-te pelas costas
E aos sítios por onde andas
Expulsar o pouco que te resta em mim

Deixa-me viver eu quero ter o que não tens
Sobreviver é pouco e tu só queres mais
Vendes-te a tudo e nada te satisfaz
Sobreviver é pouco mas eu não quero mais
Deixa-me viver eu sou o que não és

A bola de neve já é grande demais
Percorre um caminho com um só sentido
A raiva que tenho dá-me vontade de rir
E tu não vais mudar

Corres com os olhos fechados
E eu não vou mudar

o salto

quarta-feira, outubro 26, 2005

Pet Sounds - Beach Boys (1966)

Já o tenho há uns dez anos.
Comprei-o mais por ser considerado obrigatório do que própriamente por o querer muito. Depois, ouvi e deixei-me viciar. O tempo passa e de vez em quando ponho-o a tocar e parece que é a primeira vez. É raro um disco assim.
Agora começei a mostrá-lo ao meu filho que tem pouco mais de oito meses. Ouve o "God only knows" com um sorriso que...!

Pet Sounds

sexta-feira, outubro 21, 2005

Em 1º Lugar
não queria
não afirmar
que a poesia
que acontece
neste blog
mais merece
que este fog
de Outubro.
O meu orgulho
queima ao rubro
no entulho
da comunidade
blogueira.
Neste há verdade
e é verdadeira.
Congrato
o criador
E retrato
o Amor.
Somos
bons
Com'os
Sons.
Poucos,
Loucos,
Roucos,
Mas não Moucos.

Abraços

Manuel Alegre


O John Wayne manda dizer que está Fechado Para Balanço.

Deixou esta carta para justificar a sua ausência:

Faz Mais De um Mês que não escrevia nada por estas bandas. Isto de ser Cáuboi Heterónimo é complicado, o autor faz-nos desaparecer quando quer e entende. Eu não me alimento de pão, pastel de nata ou bolos de fim de noite do bairro alto, mas sim de coisas que o próprio/a sente que não lhe pertencem.

São minhas, e como tal, voltarei em breve para reclamar essas coisas!

Ando perdido em terras de nada e de ninguém, nem vos digo nem vos conto! E pelo caminho travo conhecimento com novas espécies nunca antes vistas. Personagens liliputianas, termas abandonadas, loucos, tresloucados, inconscientes, esquizofrénicos e demais que encontram numa pequena livraria de Lisboa o derradeiro espaço para extravasar o que lhes vai na alma. E ainda amantes de comboio em cenas de faca e alguidar, subúrbios desertos, cidades dormitório mais orgânicas que o jardim botânico e simpáticos professores de música que emprestam pianos em escolas de cinema!


Musicalmente falando, tenho-me cruzado com alguns dos bichos mais distintos alguma vez observados em toda a fauna terrestre, todos eles com uma coisa em comum: esse desvario, essa catarse através da música!

Cheguei a um daqueles tascos onde costumo parar, e estavam lá muitos cavalos à porta. Pensei: ai, ai, John, vê lá, que ainda sobra para ti.
Afundei o chapéu para não ser reconhecido e entrei. Mas não havia problema:
Era o Carlos Bica em apresentação do seu mais recente trabalho. Ele e contrabaixo numa cumplicidade comovente.
Eu, cáubói, é mais banjo…
Mas aquele companheiro, vou-vos contar: A determinada altura quase pensei que havia uma secção de cordas liliputiana escondida debaixo da t-shirt do Carlos Bica.
O que um homem sozinho com um contrabaixo pode fazer. Impressionante.
O showcase, ao qual cheguei já bastante tarde, acabou com uma sentida homenagem ao sempre mestre: Tom Waits.
Mas sou um grandessíssimo parvo porque perdi o Bernardo Sassetti duas vezes! A próxima não escapa.

Assim se vive na migalha, umas na ‘mouche’, outras ao lado…

Até breve
Saudações do Cáuboi
John Wayne


P.S: Já chove no deserto.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Eu tu e um estranho num quarto escuro,
quente e pesado, procuro
os teus olhos em vão.
Tocas-me, tocas-lhe eu toco-te ele não,
sinto que devo fazer o que sinto,
será que sinto o que devo?

segunda-feira, outubro 17, 2005

Arcade Fire

Eu sei que o disco é "velho", que se fala deles há muito tempo ou até que já tocaram em Portugal mas não me interessa.
Funeral (2004), o primeiro disco destes canadianos é um disco para ouvir muitas vezes e quem não ouviu vá imediatamente tratar disso.



sexta-feira, outubro 14, 2005

Atenção
Não ouvir o "Berlin" do Lou Reed de ressaca. Ela aumentará considerávelmente. É melhor o concerto para piano nº1 do Rakhmaninov.

Ontem fui com o Guitarrista Famoso (tentar) ver os Linda Martini na faculdade de letras, que abriam concerto para The Vicious Five. Não conseguimos ouvir mais do que música e meia dos primeiros porque o quadro eléctrico saltou e ninguem conseguia lá chegar... concerto bricolage.
Ainda malhei umas jolas e depois acabámos nas roulottes da 24 de julho sem direito a rock.
Não é justo.

Noutro assunto, os
tv rural já têm um espaço no myspace onde se sacam uns mp3. Ide lá.

segunda-feira, outubro 10, 2005


GRAVAÇÕES

Este fim-de-semana finalmente consegui arranjar tempo para continuar as gravações das músicas que me andam a perseguir desde Agosto. Já que tinha o estaminé todo montado não resisti a tirar algumas fotos.

As músicas espero que estejam brevemente por aí a circular mas por agora
ainda não tenho nada acabado.
Carregar na foto para aumentar.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Luiz Pacheco

Escritor, editor e crítico. Quem não conhece e queira conheçer vá ali:
luiz pacheco. Aqui em esplanar.blogspot.com/ há uma entrevista recente, boa de ler (há quem diga que é boa de gritar mas isso eu não experimentei).


segunda-feira, outubro 03, 2005

TV RURAL (versão romântica)
Soube agora que os Tv Rural vão ensaiar daqui a bocadinho.
Fiquei contente. Os Tv Rural são a banda.
Devo-lhes muito porque me fizeram olhar para a música de outra maneira. Numa altura complicada (julgava eu..) da minha vida tive a sorte de os gravar e acompanhar em concertos por aí. Não é pela relação que tenho com eles que escrevo isto mas sim porque me irrita que algo tão válido como a música que fazem passe despercebida por tanta gente.

Ponho-me para aqui a tentar dissecá-los e ao percurso dos últimos anos e chego sempre a uma conclusão: Portugal não merece os Tv Rural (só merece os politicos que elege).
Esta conversa pode meter nojo mas a verdade é que se eles vivessem (por exemplo) nos Estados Unidos tinham um culto gigante, esgotavam tudo o que era sala por onde passassem e vendiam bastantes discos mesmo nos tempos que correm. Tinham a hipótese de fazer a vida que gostam, gravar como deve ser e tudo sem grandes confusões.
Como vivemos num país de encostados (para não dizer outra coisa fonéticamente semelhante), passou tanto tempo sem que alguma editora pegasse neles que podem acabar por desvanecer.

São uns gajos que fazem música apenas pela música. Fazem a festa pondo-se sempre ao nível de quem os vai ver e ouvir. São honestos. São simples. Não são a banda de rock que sonha ser isto e aquilo ou que se juntou "por causa das gajas". Estão-se verdadeiramente cagando para a fama e de certo modo para o dinheiro que a música lhes poderia dar.
Mas, mais importante que tudo o resto, é a banda da minha geração que melhor resume e reflecte musicalmente o que é ser português sem nunca esquecer a música que vem de fora.
Há concertos que nunca vou esqueçer.

Os Tv Rural foram Zé Mário Branco na Jamaica antes da Jamaica chegar em massa ou do Zé Mário Branco ser cool. Foram Zappa a fumar cigarros baratos, uns atrás dos outros, com o Kurt Cobain para logo depois meterem o Jorge Palma a malhar copos com o Kusturica na sala de ensaios dos Ornatos.
Foram jazzreggaefunkfadunchoafrodrumn'basspunkrockorquestralprogressivo e foram sempre os Tv Rural.

Espero que apesar de Portugal não merecer continuem a ser.
E por muito tempo porra!


foto tirada aquando da vitória no concurso de música moderna de gondomar pelo fotógrafo oficial