quarta-feira, junho 28, 2006

Cartaz por JERMAINE ROGERS

Aproveitando o espírito festivalício aqui ficam mais umas:
Memórias de gajo da editora.


Em 2000 tive um ano em cheio de música. Só não fiz Vilar de Mouros porque estava lá a coqueluche Alanis Morissete e a editora foi em peso. Fora isso, sózinho passei pelo Sudoeste, onde vi os Oasis fazerem figura triste, acompanhei os muito profissionais (talvez de mais) e simpáticos Morcheeba e ainda conheci as Elastica e percebi porque é que o Damon Albarn escreveu o Tender na ressaca da Justine. Depois fui a Paredes de Coura para "tratar" de Mr. Bungle e Flaming Lips mas ainda faltava qualquer coisa.

Chego à Ilha do Ermal e só tinha uma banda com que me preocupar. Os DEFTONES acabavam de lançar White Pony e eram prioridade da Editora. Tocavam cá pela primeira vez e não sabiam para onde vinham. No primeiro dia do festival e a poucas horas de começar o rocane rôl ainda a estrada de acesso da produção estava a ser acabada.
Depois de algum paleio consegui a credencial e, avisado que eles ainda estavam no Porto, decidi dar uma volta para me ambientar. O sítio era (é) brutal. Ao voltar para o backstage vejo o Chino Moreno envergando passe que o identificava como fazendo parte dos Muse com quem tinha vindo à boleia do hotel. A organização não lhe devia conhecer a cara e ele estava-se cagando. Tratei de lhe arranjar camarim e não tarda chegou o resto do grupo e comitiva.
Os trés contentores em U davam directamente para a água. Cenário do cacete. Cervejas rápidamente passaram de mão em mão e, charro aqui charro ali toda a gente falava pelos cotovelos. Sentados à borda do lago, enquanto o Chino me contava o quanto gostava dos Smiths, via-mos ao longe os campistas assentar arraial. Pouco tempo passou até que eles olhassem de volta e reconhecessem os senhores cuja música vinham ouvir. Apesar da vedação e de pelo menos um guarda com cão, houve um fã que não resistiu e veio a nado tentar conhecer a banda. Acenava de longe e tentava manter-se à tona com o gajo do cão a avisar que não chegasse perto. A banda intercedeu e convidou para uma Budweiser. Ele era do Nuorte o que se percebia mesmo quando tentava agradecer em Inglês, escorrendo em fato de banho enquanto recuperava o fôlego. Sentou-se e foi bem recebido pelos ídolos. Bebeu até ao fim, e eu, pensando que gostaria que me fizessem o mesmo, arranjei um marcador e todos lhe assinaram a icónica garrafa americana que levou numa mão enquanto árduamente remava com a outra. Algum tempo depois volta a aparecer a nado repetindo-se a cena do cão, mas agora com uma máquina fotográfica dentro de um saco de plástico. Algumas gargalhadas e várias fotos depois foi-se já com a prova para os amigos que desconfiassem daquilo ter acontecido. Este episódio festivaleiro ainda se tornou mais cómico quando alguem reparou que o nadador dava uma "palestra" na margem do lago para um grupo de putos sentados no chão babados com a sorte daquele.

O concerto foi potente e eles gostaram de um público que não deu tréguas. Eu tambem gostei e assisti adrenalizado. Assim que acabou fui com o road-manager, o Steve Kidd, que me disse “I choose, you do the talking”. No fosso entre as grades e o palco, com corpos quase a transbordar de um lado, e do outro os gorilas da segurança, perguntava tímidamente “Olá, queres vir conhecer os Deftones?”. O lema “In it for the girls” ilustrou-se ali que nem ginjas. Elas respondiam qualquer coisa do género "Fodass claro como é que é?" e em cinco minutos tínhamos umas quinze moças (e um namorado) a caminho do camarim. Houve copofonia, entrevistas e confraternização enquanto esperávamos o concerto do Fred Durst e companhia.
Como o management era o mesmo e aprovou fomos todos. Os Deftones, as quinze gajas (e um namorado), os Blind Zero e os Muse que tinham tocado antes, enfim um verdadeiro bordel na parte de trás do palco. Apesar de não ser grande (nem pequeno) fã dos biscoitos coxos confesso que não me vou esquecer. 15 ou 20 mil pessoas aos saltos ali mesmo à frente enquanto tentava manter o equilibrio em cima de uma coluna do PA que partilhava com o vocallista de cabelo azul dos Muse ambos com medo do stage manager. Não acontece todos os dias (pelo menos a mim..).
No fim, depois de me despedir, entrei no carro e fui para Braga com medo de ser mandado parar pela BT.

A Editora já me tinha dado as re-edições do Curtis Mayfield e os Flaming Lips em Paredes de Coura e eu já não precisava dela para nada portanto fiquei feliz quando lá para Setembro me convidaram a sair. Na semana seguinte apanhei um avião e fui 20 dias para Nova Iorque onde tentei em vão ver os esgotadíssimos At the drive In. Caguei porque pelo menos consegui apanhar os Lambchop no Irving Plaza e ver as torres um ano antes do fim.
Os Deftones nunca mais os vi mas pareceram-me uns gajos porreiros.

segunda-feira, junho 26, 2006

Compositor, harmonizador, membro da gaiatada
Opositor da injustiça, amante da mulherada

Cientista da rima, rítmica e da prosódia
Redactor, poeta, promotor de paródia

Um disco para esta semana: FIELD MUSIC - Field Music

São
bifes e a sua pop naturalmente brit não me sai dos ouvidos. Lembram várias coisas mas já não lembro quais. São da editora dos The GO! TEAM, a Memphis Industries, e foi por aí que a eles cheguei.

Shorter Shorter MP3 - um dos singles deste disco editado no Verão passado.

(download: botão direito do rato - guardar destino como...)

Bootlegs:

Initials B.B. - Gainsbourg versus the Beastie Boys. - DJ Zebra

Sad but Clint - Metallica versus Gorillaz - Métamix

(download: botão direito do rato - guardar destino como...)

sexta-feira, junho 23, 2006

"A renúncia é a libertação. Não querer é poder."

do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa

quinta-feira, junho 22, 2006

WORDSONG PESSOA

Ontem saí do Maxime's feliz, contente e com os copos. O antigo cabaret anda em grande. O concerto de lançamento do novo disco/livro WORDSONG foi BOM. O grupo pegou em poemas de Fernando Pessoa e escreveu-lhes música tal como já tinham feito com escritos do Al Berto. A presença em palco do vocalista Pedro D'Orey, sem poses da tanga mas com a simplicidade de quem gosta do que está a fazer alia-se a uma voz que não é só boa mas bem usada dando consistência à escolha de poemas cujo nível de genialidade não é fácil de manter. Os músicos ora estendem a cama por cima da qual as palavras se rebolam com espaço, ora puxam pelo ritmo daquelas em despique. Fazem-no bem. Bateria baixo, teclas, guitarra e programações que estéticamente vão passando por onde lhes apetece.
Não comprei porque o nível de tesura já é alto mas devo comprar brevemente.

"The intellectual is constantly betrayed by his vanity. Godlike he blandly assumes that he can express everything in words; whereas the things one loves, lives, and dies for are not, in the last analysis completely expressible in words."

Anne Morrow Lindbergh (June 22, 1906 – February 7, 2001)

quarta-feira, junho 21, 2006

Este fim-de-semana há dois concertos que gostava de ver.

No sábado o J.P. Simões vai à ZDB onde deve tocar músicas do seu novo disco a solo, num serão com o sugestivo nome de Cabaret Meditativo Sessions.
Ainda nessa noite toca no Maxime's o
Laurent Filipe que promove o seu disco dedicado a Chet Baker "Ode to Chet". Ainda não ouvi mas diz que está bom. Jazz cantado e trompetado pela mesma pessoa não é das coisas mais habituais nos tempos que correm e a banda que o acompanha é excelente. Deve valer a pena.

terça-feira, junho 20, 2006

Esta semana inaugura uma exposição do Duarte Amaral Netto no MÓDULO Centro difusor de Arte. É na Calçada dos Mestres 34 e pode-se visitar de terça a sábado das 15h às 20h.

segunda-feira, junho 19, 2006

Cara Brigitte, Wayne e companhia Ilimitada,

A visão futurista
Mad Max à vista?

Vi com extrema atenção o jogo do Brasil e reparei numa coisa, os ecrãs do estádio mostram o jogo que é transmitido simultaneamente para as televisões do mundo inteiro, ou seja, a política do pão e do circo instituída por Cómodus, fictício imperador romano de O Gladiadior, é agora apanágio da vivência contemporânea.Quem é o Maximus que surgirá?


Laurencius Vivencius Cardiacae

sexta-feira, junho 16, 2006

Feromona - o que essas velhas andam a fazer.

Estamos a acabar de gravar e como o orçamento é inversamente proporcional à dívida externa do Brasil, as coisas demoram mais tempo. Valham-nos os amigos de espírito mecenático que emprestam máquinas com luzinhas e participam sem cobrar.
Falta o vibrafone do João Pinheiro, o clarinete do João Roxo, as teclas da Joana Trata e quem sabe um acordeão de um amigo de um amigo.
Esperemos que daqui a pouco tempo haja pelo menos uma canção a bombar nos rádios do carro e leitores de émepê3 e, para depois do Verão, um disco com mais.
O Marco está em recuperação de cirurgia ao ombro (plástica, ele não gostava do ombro que tinha e decidiu mandar aumentar, nós compreendemos as suas preocupações estéticas e claro que aceitámos) e por essa razão não há concertos para breve.

O Nacional-Ronaldismo ou um desabafo desolado sobre o advento do Futebol-Pimba

Não costumo trazer bola para aqui mas gostei deste texto do Guitarrista Famoso.

Informação completamente inútil.

O Paraguai é o país do mundo com mais relatos de aparições de Adolfo Hitler.

quarta-feira, junho 14, 2006

Ontem à noite.











quinta-feira, junho 08, 2006

Por razões diversas ocorreu-me começar uma rubrica nova dedicada a editoras com nome fora do comum. A primeira coisa que veio à cabeça não podia deixar de ser a:

I USED TO FUCK PEOPLE LIKE YOU IN PRISON Records

Uma companhia alemã que se dedica ao punk n'roll. Há mais para download no site mas ficam aqui 3 ideias porreiras:

KINGS OF NUTHIN'

TEXAS TERRI BOMB !
Never shut up.mp3

THE METEORS
Bone bag.mp3

Estava há pouco a ver as notícias e apercebi-me das semelhanças entre estes dois.

Carlos Martins -------- Abu Musab al-Zarqawi

terça-feira, junho 06, 2006

Este post não tem muito a ver mas, alguém costuma ir à esplanada do Príncipe Real? Apesar do cenário ser do melhor que há em Lisboa, é caro e o serviço só seria pior se os empregados nos batessem. Dá-me uma certa raiva.

segunda-feira, junho 05, 2006

É vergonhoso mas acho que não tinha ainda aqui falado de HIP-HOP. Não é o tipo de música que conheço melhor mas há alturas em que o disco certo bate tudo o resto.
Houve um tempo em que comprei hh americano mas entretanto perdi um bocado o interesse. Recentemente, e como bem se sabe, a produção feita em Portugal aumentou em quantidade e qualidade. Ainda assim há constantemente discos a sair que passam ao lado de muito boa gente. Não é necessariamente o caso mas aqui vão duas sugestões já com algum tempo e que me impressionaram (e impressionam).

Valete "Educação Visual"

nossos tempos.mp3 (botão direito do rato - gravar destino como...)

O disco pode-se encomendar por 7€ vale bem pena.



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Conjunto Ngonguenha "Ngonguenhação" (a foto liga ao myspace onde dá para ouvir música deles)

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sexta-feira, junho 02, 2006

Gregory Crewdson

Não gosto muito de fotografias encenadas mas este gajo faz coisas do caraças.